sábado, 2 de abril de 2011

UMA AVENTURA NA MONTANHA

Quando o sol está a pousar nos montes do lado de lá do rio, já Gonçalo e Beatriz estão dentro da cabana do velhinho da montanha de que lhes falara a Ana. O caminho foi ruim porque é caminho de cabra, mas é fantástico para os miúdos este ambiente que lhes era desconhecido. O velhinho é um homem simpático que os pôs à vontade e eles reparavam com curiosidade em todas as coisas que enchiam aquela velha cabana que dizem ser dos tempos dos mouros. Beatriz perguntou curiosa o que o velhinho fazia sozinho naquela montanha que muitas vezes se cobria de neve. Ele explicou-lhes o que era a sua vida ali e que há noite se entretinha a ler, escrever e muitas vezes a tocar violão, ao mesmo tempo que apontava para a viola que estava escondida detrás da lareira. – Fantástico! Observa Beatriz, que é mais palradeira.- Como era bom ouvi-lo tocar e contar as suas histórias!

Porque a noite ia já alta, o velho começou a dar uns acordes no violão, mas a ficar preocupado com o que pensariam os pais dos catraios ao sentirem a sua ausência. Mas ele não tem resposta a dar à situação, que não seja entretê-los. Ao fim de algum tempo de lindas histórias ele verifica que os miúdos adormeceram na paz de Deus. Quando o próprio velho cerrava os olhos ensonado, ouviu o toque daquilo a que chamam um telemóvel. Aguçou o ouvido e viu que ele vinha do bolso do Gonçalo. Depois de alguma hesitação achou que o melhor era atender, o que acabou por fazer atabalhoadamente. O diálogo foi esclarecedor e tranquilizante para os pais dos miúdos.

Na manhã seguinte, quando desciam a montanha com um sentimento de aventura dentro de si, a Beatriz observa inteligentemente para o Gonçalo: - Tu reparaste nesta cabana e no que é a nossa casa? Reparaste na vida simples que é a daquele velhinho, que não tem nem electricidade, nem televisão, mas que escreve histórias e toca tão bem violão? Eu acho que tu já dormias quando ele cantou uma cantiga da sua terra. Gostei tanto! Gonçalo, calado por natureza, não faz comentários mas está atento ao que diz a irmã.

Beatriz acrescenta com lucidez aguda para os seus dez anos: sabes uma coisa? E continua, já ouvi um dia alguém dizer que o que faz as pessoas felizes não é o dinheiro, nem as grandes casas, nem o luxo. Se queres que te diga eu achei este homem feliz, apesar de viver numa cabana e no meio das coisas simples mas importantes. Sabes que acho que ao ouvi-lo tocar e cantar fiquei esta noite a gostar de música?
E é tão bom adormecer a ouvir contar histórias!

Olema

18/03/2010

domingo, 20 de março de 2011

ACRÓSTICO

À Senhora Dona Olema
(paixão dos 17 anos)



M urmúrio que ecoa nos arcanos da minha alma
A rrimo das agruras do meu caminho
R io das águas límpidas que corre para a esperança
I ris dos meus olhos que em ti me revejo
L irio dos campos verdes da minha terra
I nfinitude de morada preciosa
A dorno de uma Vida que sonha a inquietude do sonho


Acróstico, 14/04/2009

sábado, 19 de março de 2011

MARÍLIA

M arília, oh tu mulher diferente
A quela a quem o tempo
R egou com orvalho de ouro fino
I nércia não há em ti, mulher ardente
L írio do meu jardim que mais anelo
I dílio feito mulher para ser amada
A legoria no meu sonho de poeta

O amor com que te amo
L uz que orienta o meu caminho
E  fruto de divinal sementeira
M adrugada dos meus sonhos de menino
A quela em quem a beleza sobeja

C írio nos percalços do meu caminho
O sonho feito mulher
R aridade num mundo imperfeito
R éstia de sol rompendo a madrugada
E strela no céu dos meus encantos
I ntima parcela daquele que sou
A guia de asas brancas, meu deslumbre

António Bernardino


quarta-feira, 2 de março de 2011

Eu tive um sonho



Eu tive um sonho de amor feito
Ornado com pétalas de mil cores
Sonhei que esse sonho
Abarcasse o universo
Mas o sonho era tão grande
Que espaço minguava para o acolher
Reguei-o com dourada filigrana
E beijei-o com o beijar dos deuses
Esse beijo de fecundo
O universo fez sem medidas
Tornando-o pátria da beleza
Puxado pelo corcel da realeza
Infinitamente acolhedor
Regaço do mais extremado amor

http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=NCRbh7fy6LI

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Dedicatória

À minha filha Cristina pelo seu aniversário


Nesses dias raiando a primavera
Ouvem-se ao longe murmúrios de cascata
Qual réstia de luz divinal quimera
Vislumbra-se humana indizível nata

Menina linda acaba de nascer
No mundo dos homens cerce se abalança
Não veio ao mundo para se deixar vencer
Que não a satisfará ser pomba mansa

Nasce com ela o sonho de ser gente
A garra de vencer lhe vem na alma
Humanos valores lhe enchem a mente
E não vai intruso vil levar-lhe a palma

Os obstáculos leva-los de vencida
Que o destino tens por bem fadado
O teu sucesso, filha, na vida
É para mim sonho realizado


Nos sussurros que chegam da montanha
Há murmúrios de água cristalina
O bom senso é sempre ele que ganha
O seu nome haverá de ser Cristina

MATILDE

(Texto de Ana Martins, querida amiga)

A estrela da festa envergava um vestidinho azul. Chamava-se Matilde e nem as hastes rosas que lhe pendiam no nariz escondiam o belo sorriso de "mundo meu", comum a todas as crianças. A todas as crianças felizes!
Às gargalhadas e aos pulos, dourou-nos o final da tarde, acariciou timidamente e baptizou garbosos cavalos. Até conheceu um gatinho que um dia, se comesse muita palha, seria também um belo cavalo - disse-lhe um senhor de certa idade. Mas Matilde, inteligente e perspicaz como só ela, logo percebeu que os gatos bebem leitinho e que o senhor, coitadinho, de já tão avançada idade não dizia coisa com coisa.
Nessa noite, quando as estrelas do céu quase outonal a vieram render, adormeceu em materno colo, enquanto as pessoas grandes se calavam a ver umas outras a fazerem umas figuras muuuito estranhas... Uns dizem que os gatos serão cavalos, outros rastejam pelo chão com a cara pintada com um ar muito sério e mau... Este mundo de adultos é mesmo estranho.
Por isso era hora de dormir, desfrutar daquele pequeno pedaço de tempo que a vida nos oferece, em que o mundo dos sonhos é igual ao mundo real: repleto de fadas, princesas, lápis de cor, plasticina, sorrisos e alegria. Uma imensa alegria! Tal como foi tê-la connosco.


Dedicado à Matilde, que tive o prazer e a alegria de conhecer em Guimarães.

 
-Ana
Este conto está uma ternura, que a nós mesmos por razões evidentes nos enternece de uma maneira especial. Só temos pena que a Matilde não tenha ainda maturidade para o agarrar. Mas tentando hoje relembrar-lhe a história do gatinho e do cavalo, ela foi pronta na sua observação:” mas era um gatinho porque comia leite!”
O que significa que neste pequeno espaço de tempo já o seu pequeno cérebro deu um saltinho de pardal.
Ficamos muito sensibilizados com o seu gesto e vamos tomar a liberdade de o colocar no nosso blog, está bem? Uma vez mais lhe queremos manifestar a nossa gratidão pelas palavras tão gentis e amigas feitas verdadeiro poema, que dedicou à Matilde (e para todos os efeitos a nós).

Beijinhos dos três
Olema, Antonius e Matilde

-Meus queridos amigos:

Quase dois meses se passaram desde que postei este textinho. De facto, a Matilde é uma menina absolutamente encantadora que nos brindou com a alegria e energia durante um jantar em Guimarães. Que me perdoem os intra-incionistas, mas ela foi a verdadeira estrela da festa! Rssss

Não é de facto meu hábito não vos responder individualmente, mas desta vez abrirei uma excepção.

Mando-vos beijos gratos pelos comentários que fizeram e para a Olema e o Sr. Bernardino, envio um grande abraço de afecto e de parabéns pois estão a fazer desabrochar uma bela menina!

Ana

 

Dedicatória

Salvé minha sandra querida
Que o meu amor acalenta
Um amor que não tem medida
E não te importe entrar nos «enta»

Prometeste-me tu um dia
E é sagrado o que dizes
Prometeste-me um relógio
Para marcar só horas felizes

Devolvo-te a promessa
A de quem sente o que diz
Tenha eu nas minhas mãos
Poder fazer-te feliz

Alegre anseio ver-te
Sorrir para todo o mundo
Ver teus olhos brilhar
Com olhar vero, profundo

Acredito que vem aí
Esse dia de encantamento
O teu anjo protector
Não te esquece um só momento

(À Sandra pelo seu quadragésimo aniversário)