terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A Cabana Dourada

A CABANA DOURADA




Na senda do prestigio
Orientei meus passos
Na rota do sucesso
Depus o meu porvir.

A felicidade senti
Acercar-se de mim
Ofertar-me guarida
E proventos mil.

De uma cabana dourada
Cuidei dominar o mundo
Mas fui demasiado fundo
No meu ousado sonhar

É que nessa cabana vil
Só encontrei solidão
De vermes vi mais que mil
Morte desilusão

Arrependida me senti
De tão alto sonhar
Depressa me decidi
Àquela que sou regressar

Dentro de mim encontrei
A minha perdida alegria
E assim num repente
A noite se fez dia.

Olema


Se...

Se…



Cerrando os olhos, qual contradição, entro dentro de mim e surpreendo-me.
É como se da primeira vez me auscultasse, me perguntasse quem sou e ao que venho. Subitamente senti-me infinitamente importante, ou melhor, obrigada a sê-lo.
Abri os olhos levantei-me e vou tomar caminho.

Olema


Monólogo

MONÓLOGO

Eu sou um pedaço de tempo
Senhor de um espaço que é só meu
Eu sou lampejo, eu sou relâmpago
Luz que mal brilha
No portentoso escuro do céu
Eu sou a pobre que demanda
Dádiva não material
Eu sou aquela que sonha
E ansiosa busca o definitivo
A perseguida resposta
O porquê do existir
O pressentir que no fundo de si
Discretamente oculta
Mora actuante a razão.

OLEMA


domingo, 31 de outubro de 2010

Hino à Criação

Hino à criação



Inscrita ficou uma lei na natureza
Conferindo-lhe venturosa eternidade
Essa lei que enche de grandeza
A térrea condição da humanidade

Graças a ela algo de grande acontece
Qual rugido sonoro de um leão
É um milagre cuja feitura tece
A força indomável da criação

Três tesouros me foram assim ofertados
Nascidos de providenciais fetos
São para mim seres abençoados
Tornados razão de ser, meus netos

Bia, Chalo e Matita se chamam
Bendita dadiva do Criador
Entes que hoje de mim recebem
Justo punhado do meu amor

Olema

Saudades de Africa

Saudades de África



Hoje é noite de recuar no tempo
Imperativo que nasce de espontâneo crer
Inesperado impulso nesta hora acalento
Regressar a um remoto, distante viver.

Saudades vivas desse tempo de há muito
Dilaceram hoje a minha lembrança
Viajar ao passado é penoso, eu o sinto
Vale-me que brote sempre em mim a esperança

De África guardarei eternamente os cheiros
Os Pôr do Sol, a humana convivência
Terra de fartura, dos cafezais e coqueiros
De um povo sofrendo ancestral dolência

De Luanda guardarei eterna saudade
Onde vivi minhas horas de adolescente
Num profundo assomo de verdade
Mora em mim um sonho de África, latente

De África guardo hoje a nostalgia
Do Africano a bondade patente
Aceso o sonho de voltar lá um dia
Regressar no tempo é sonho premente

Do vasto oceano imenso e profundo
Respiro hoje ainda a suave aragem
Da baía de Luanda, extremado mundo
Ah, como guardo indelével a imagem!

Olema

sábado, 23 de outubro de 2010

Em busca do filho pródigo

Em busca do filho pródigo


Está escura a noite
Mas falam-me as estrelas
Paradoxal linguagem
Que me esforço por entender
Há arritmias no tremular
Porque há uma estrela
Que tresmalhada
A todo o transe
Me esforço por encontrar.
De tanto buscar, de tanto procurar
Subitamente
Sinto-me feita corpo estelar.
No corrupio tremulante das estrelas
Transponho a Via Láctea
E repouso em Orion
E como a buscada estrela não encontro
Triste, desolada
Regresso à terra
Minha terra,
Com ímpetos não sonhados
Mas uma voz sussurrando-me
Que há sempre um espaço para a esperança
Que mora no mais recôndito
Do coração de uma mãe.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Aquela que eu sou

Aquela que eu sou



Serei filha do gene
De algo que a olho desarmado
Simplesmente não vê

Serei filha de um átomo
Microscópica porção
Da térrea matéria

Serei filha do acaso
Da não vontade
Do simples aconteceu

Serei filha de Marte
Se de Marte algum dia
Partícula à terra desceu

Serei filha da lua
Dessa nívea esfera
Que desde sempre me atrai

Desse hino à noite escura
Que nos fala e murmura
Romântico pedaço de céu

Porventura filha da vontade
Do querer determinado
De alguém que deveras amou

Sim eu sou filha de tudo
Do gene, do átomo, da porção
Do acaso, do amor e da lua

Mas muito das circunstâncias
Do acaso e do amor
-Da vontade do Criador.